23 setembro 2011

O futebol na TV e a defesa do essencial

Na linguagem do tempo devo confessar que sou fã dos teletextos com que João Lopes semanalmente nos brinda no "Notícias TV" (suplemento do JN). No de hoje destaco muito especialmente esta sua crítica a um certo tipo de comentadores do futebol que nos entra pelo ecrã:

"1. Celebrar o silêncio será um delírio poético? Talvez… porque não? Digamos que, nem que seja por razões poéticas, vale a pena perguntar porque é que a maioria dos comentadores dos directos do futebol não conseguem parar (ao menos por um abençoado segundo!!!) para escutar os ambientes dos jogos? Às vezes, a dois, dão-se mesmo ao luxo de elaborar infinitas dissertações sobre estratégias e tácticas, como se não estivesse nada a acontecer no ecrã ... Pede-se apenas a defesa do essencial: o prazer de olhar e escutar. O nosso, pelo menos."

Não tenho o conhecido e muito requintado hábito de Artur Jorge, ex-treinador do FCP, de desligar o som da TV e ficar a observar as peripécias do jogo, escutando apenas música clássica. Mas nem oito nem oitenta. O comentador do direto do futebol nem precisa de nos dizer o que já estamos a ver com os nossos próprios olhos, nem tem nada que nos contar a vida de cada jogador desde pequenino. Dele se espera informação, esclarecimento, enfim, uma chamada de atenção para este ou para aquele momento, mas não um relato propriamente dito. Espera-se, sobretudo, que não transforme o jogo inteiro numa interminável e aborrecida sucessão de pormenores. Haja retórica. Ao menos, medida e bom senso. Não é pedir muito.

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22 agosto 2010

Mudança de treinador no Benfica

“A jogar a esta velocidade, dificilmente alguém segura o Benfica” - Jorge Jesus

Pouco mais de duas semanas depois desta pública fanfarronice, um treinador de sucesso parece um treinador vulgar (para o fraco) e uma equipa vitoriosa, paga a ouro de lei, perdeu já as três primeiras partidas (a sério) que disputou, duas das quais com equipas que nunca jogam para o título. À excepção de Di Maria e Ramires, o plantel mantém-se praticamente o mesmo e o novo guarda-redes Roberto nem precisa de defender para ter a incondicional benção de Jesus. O que mudou então? A hipótese é a de que o Benfica tenha mudado de treinador sem dar por isso. Sim porque este Jorge de Jesus não tem nada a ver com o do ano passado. Ou tem?

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15 agosto 2010

O show retórico de Pinto da Costa (II)

Na entrevista dada à Revista Única do Expresso de hoje:

Ficou satisfeito por Carolina Salgado ter sido condenada por abuso de confiança e ter de devolver 30 mil que tirou de uma conta sua?

Não. (...) É-me completamente indiferente se é condenada, absolvida ou se faz isto ou aquilo. Quero lá saber. Acabou.



Mas investiu bastante na relação. Levou-a na visita ao Papa.

Se vivo com uma pessoa e vou a Roma, a Braga ou ao Pedro dos Leitões, não o vou levar a si.

Desarmante, não?

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14 agosto 2010

O show retórico de Pinto da Costa (I)

Na entrevista dada à Revista Única do Expresso de hoje:

Ainda tem algum processo pendente nos tribunais?
Está tudo resolvido. As acusações do "Apito Dourado" foram todas arquivadas. E cada uma três vezes. Primeiro, foram investigadas e mandadas arquivar. Depois, foram julgadas e de novo arquivadas. E o procurador-geral da República, numa decisão inédita, determinou que tudo o que fosse ilibado no "Apito Dourado" teria recurso do MP.

Sentiu-se perseguido?
Se a ordem também tivesse sido dada para os casos Freeport, Casa Pia ou Face Oculta, não me sentia discriminado. Não digo que seja perseguição. Mas que é estranho é.

Mas que estranho.

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10 agosto 2010

Villas-Boas: afinal era para já

E para quem não tinha percebido (incluindo eu próprio) aquela tirada de André Villas-Boas - mais tarde ou mais cedo ou , as coisas estão no caminho certo -, a jogatona que o Porto fez contra o Benfica no passado sábado acabou com todas as dúvidas: afinal nem era para mais tarde, nem era para mais cedo, era mesmo para . E confirma-se: o que conta são os pontapés na bola dentro do campo, não são os pontapés na gramática fora dele. Como há muito já nos tinha ensinado o professor Jorge de Jesus.

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06 agosto 2010

A persuasão em três tempos


André Vilas Boas, novel treinador do Porto, hoje, aos jornalistas:
« Mais tarde ou mais cedo ou já, as coisas estão no caminho certo »
Programa Bola Branca, RR, 06.08.2010, 10:30
Mais tarde ou mais cedo ou já? Isso é o que se chama "rematar pela certa".

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