30 maio 2007

Ao que chega o amor de pai

Belmiro de Azevedo insiste e volta a insistir que a escolha do filho para lhe suceder na liderança do Grupo So­nae nada teve a ver com uma questão de linhagem ou de san­gue e que o processo de sucessão foi "transparente e pací­fico" para os quatro candidatos ao lugar: Ângelo Paupério, Álvaro Portela, Nuno Jordão e Paulo Azevedo.

Desta vez desvenda-nos o modelo que seguiu no processo de sucessão o qual terá passado por colocar três questões aos qua­tro candidatos:

1) se queriam e podiam ser o nú­mero um (os quatro responde­ram afirmativamente)

2) se no caso de não serem escolhidos aceitariam um dos quatro indigitados (todos concordaram)

3) "Se não for você quem é que escolhe?" (E o resul­tado levou à escolha de Paulo Azevedo)

(Via Expresso, 26 Maio 2007)


Que o modelo é engenhoso, é. E poderia até ser uma prova da "lealdade e transparência" da própria escolha se os quatro candidatos se encontrassem, à partida, nas mesmas condições. Mas não foi o caso. Por razões acima de óbvias, o filho do patrão não é, nem pode ser, um igual entre iguais, ainda que como tal se procure comportar. Aparentemente, só Belmiro de Azevedo não percebeu que o seu modelo estava inquinado. Daí o murmúrio: ao que chega o amor de pai.

§ - Se Belmiro de Azevedo continuar a "martelar-nos" com a ideia de que o filho foi escolhido apenas por mérito, ainda vai deixar a impressão de que, afinal, não há qualquer evidência disso.