22 outubro 2007

Mais do que pidescas

No sábado, li na "Tabu" as já tão polémicas palavras do sr. Procurador:

"acho que as escutas em Portugal são feitas exageradamente (...). Penso que tenho um telemóvel sob escuta. Às vezes faz uns barulhos esquisitos"

Nem de propósito, no domingo, abro o Público (P2) e deparo com este sub-título da jornalista São José de Almeida na sua entrevista à investigadora Irene Pimentel (autora de uma tese de doutoramento sobre a PIDE):

"A Pide construiu a imagem de que tinha ouvidos em todo o lado, para afastar da vida cívica os cidadãos"

Eu que ainda sou desse tempo, vou avisando: à Pide ainda se podia enganar, da Pide ainda se podia fugir. Mas destas escutas generalizadas, não. Porque estas escutas não fazem "bluff", nem constroem falsas imagens para reprimir a liberdade. Não precisam. Elas são os "ouvidos em todo o lado": são a própria repressão. Mais do que pidescas, portanto.